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25 de Outubro de 2020
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    As qualidades do texto moderno

    Espaço Vital
    Publicado por Espaço Vital
    há 6 meses

    As qualidades do texto moderno (2)

    A objetividade é outra qualidade que ganhou especial importância nos textos modernos.
    Movido pela pressa e pelos inúmeros afazeres, o leitor não dispõe de tempo (ou acha que não
    dispõe) para ler obviedades, coisas que ele já conhece ou que não lhe interessam, como que
    dizendo: “Tenho mais o que fazer”.


    Houve época em que ninguém se incomodava com a leitura de obviedades. Era até
    considerado uma forma de cortesia para com o destinatário, de distinção. Hoje, essas inutilidades
    são consideradas faltas de cortesia e mesmo de ofensa à inteligência do leitor. Observe-se este
    exemplo, comum em petições judiciais:


    - Vimos pelo presente solicitar a Vossa Excelência... Não é óbvio que quem vai, está indo?
    Então, porque “Vimos”? Por que “pelo presente”? Não é óbvio que não será por outro? Como se
    vê, o que parece ser uma forma cortês, é, na verdade, uma descortesia, uma ofensa à inteligência
    do leitor. Então, sugere-se trocar por forma mais objetiva e, por isso, mais cortês: Solicitamos a
    Vossa Excelência.



    Pior do que essa forma de iniciar uma comunicação é uma ainda usada para a despedida:
    - Nada mais havendo a tratar, aproveitamos a ocasião para renovar nossos protestos da
    mais alta estima e distinta consideração. Examinemos: Se o autor simplesmente parasse de
    escrever, o destinatário já não saberia que ele nada mais teria a tratar? Ele também não saberia que
    o autor estaria aproveitando a ocasião para alguma coisa? Por que “protestos”, se a manifestação é
    de estima e consideração? Nem se entre no mérito do restante da mensagem, porque é mesmo o
    resto. Enfim, está difícil de encontrar algo de positivo nessa despedida. Só falta um “amém”.
    Aliás, a maioria absoluta dos destinatários, quando chega no “Nada mais havendo...”, nem lê o
    resto, por duas razões essenciais: já conhece de cor e, principalmente, porque não acredita na falsa
    declaração de amor... Modernamente, troca-se toda essa ladainha por “Atenciosas saudações”, ou
    “Atenciosamente”, ou, se o destinatário for de hierarquia superior, “Respeitosas saudações”, ou
    “Respeitosamente”. Há alguma falta de cortesia nessa forma objetiva?










    Os processos judiciais modernos também precisam contemplar essa desejada objetividade.
    Não há mais lugar para aqueles processos inchados por jurisprudência, doutrina e palavrório
    desnecessários. Em nome da celeridade da Justiça, sugerem-se iniciais objetivas, precisas, claras e
    concisas, esperando-se o mesmo das sentenças.


    Em seus pareceres jurídicos, os advogados também têm que se ater a essa limitação de
    tempo de seus clientes, que esperam posições seguras, mas também objetivas, precisas, claras e
    concisas.

    A objetividade pode ser comparada ao avião que chega para pousar no destino. O normal,
    o objetivo, é que ele pouse de imediato, que não fique dando voltas e mais voltas antes de pousar.
    Só fará isso se houver motivo que o impeça de fazê-lo.

    Mais uma vez, confirma-se o princípio linguístico: o ambiente e o espírito da época são
    determinantes da forma de linguagem.

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