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4 de Abril de 2020
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    O aniversário da namorada do ministro

    Espaço Vital
    Publicado por Espaço Vital
    há 11 dias

    Por Carlos Alberto Bencke, advogado (OAB-RS nº 7.968)

    O ministro aquele, sempre pronto a novas conquistas, estava de caso com uma linda advogada que, meses antes, participara de uma audiência, ali surgindo o convite para um futuro encontro fora da Corte.

    O romance começou e seguiu e, passado algum tempo, o casal uma viagem a Nova Iorque para comemorar o aniversário dela em famosíssimo restaurante na Big Apple, daqueles que têm agendamentos e está lotado até para o ano seguinte. Mas, o ministro não fez reserva, confiante no seu alto cargo que, por certo, lhe daria prerrogativas inimagináveis.

    Lá chegando, o formal maitre logo perguntou:

    O senhor tem reserva?

    Sim, tenho. Meu nome é ´José da Silva´. Eu sou ministro da mais alta Corte do meu país - e comprovo essa minha impoluta condição mediante a apresentação da identidade funcional, ademais exibida, agora também, junto com o meu passaporte diplomático. Cientifico-os de que aqui vim comemorar o aniversário da minha namorada.

    Na consulta às anotações, o maitre não encontrou reserva. Comunicou ao ministro que, enfurecido, lá no seu íntimo, pensou: “Esse maitre está acostumado com quem não mente e vai acreditar em mim”. Sustentou então que “isto é um absurdo, a reserva foi feita há mais de um ano, exijo a mesa, etc.”

    Os clientes presentes olhavam para a porta de entrada onde se formara o embrulho.

    O maitre consultou o gerente, que consultou o diretor, que consultou... que consultou... e todos chegaram a uma conclusão: realmente teria havido uma falha. Daí porque dariam ao cliente e sua namorada uma mesa colocada em lugar estratégico, bem à vista de todos, para mostrar que estavam corrigindo um erro que consideravam monumental.

    Afinal, se alguém nos Estados Unidos diz algo, aquilo é verdadeiro.

    O ministro e sua encantadora namorada jantaram, brindaram com champanhe francesa, vinho finíssimo e caro - e saíram, ele triunfante olhando com desdém o maitre, e após ter pago a conta de mais de mil dólares.

    A namorada, ao contrário, estava roxa de vergonha. A ponto de perder, ali mesmo, o estímulo do namoro quando, depois daqueles vários cálices, o alegre e romântico ministro cantarolou em inglês, no ouvido dela, versos de sofreguidão:

    “O amor quando acontece /
    A gente esquece logo /
    Que sofreu um dia...”

    Uma semana depois, a rádio-corredor informou secamente: “Na volta ao país de origem, a namorada dispensou o ministro”.

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