jusbrasil.com.br
1 de Julho de 2022
    Adicione tópicos

    Jogos do poder

    Espaço Vital
    Publicado por Espaço Vital
    há 14 anos

    Por Sandra Silva,

    socióloga

    O recente episódio envolvendo duas decisões do presidente do STF que concedeu liminar de soltura ao cidadão Daniel Dantas gerou uma das mais fortes crises institucionais dos últimos tempos.

    A crise não se concentra apenas no fato de um magistrado de primeira instância ter despachado um segundo mandado determinando a prisão de suspeito de corrupção et caterva, logo após sua soltura pela Suprema Corte sob o argumento de novas provas venais. O que está abscôndito chama-se poder político e poder financeiro. A contenda parece se dar entre o presidente do Supremo e o ministro da Justiça e os efeitos atingem o governo. O juiz singular é um detalhe, talvez como o próprio cidadão Daniel Dantas.

    Ninguém desconhece as pretensões do ministro Tarso Genro de atingir a presidência da República. Tampouco a sociedade ignora que o presidente Lula sinaliza como sucessora a ministra-chefe da Casa Civil. Tanto o é que lhe entregou o PAC, programa de desenvolvimento que envolve bilhões de reais e atende a todas as classes sociais. Não há como a ministra não estar diariamente na mídia e em visibilidade para todos os brasileiros, quesitos essenciais para quem vai se arriscar numa campanha presidencial.

    Nos jogos do poder, quando há mais de um candidato disputando o mesmo espaço, um tem de derrubar o outro (mire-se o exemplo Hilary e Obama). O ministro Tarso precisa marcar presença no cenário nacional se quiser se fortalecer para essa candidatura. Comandando a Polícia Federal com vigor, é por meio dela que entendeu chamar a atenção sobre si.

    Talvez daí a chamada espetacularização das operações e respectivas prisões dos suspeitos. O ministro da Justiça sabe que a sociedade está exaurida de ver impunidade. Ora, em quem a população vai depositar sua confiança senão em um moralizador? Lembremo-nos de que o hoje senador Fernando Collor elegeu-se presidente pela promessa de caça aos marajás, ou seja, também iria promover a moralização e a justiça no país.

    A instalação de um Estado policial é algo muito perigoso. O ministro Gilmar Mendes, homem de significativas luzes jurídicas, já preveniu a sociedade em diversas oportunidades sobre esse equívoco. A libertação do banqueiro Daniel Dantas pelo ministro Gilmar foi o pingo d’água que o ministro da Justiça necessitava para brilhar na mídia. Enquanto o presidente do Excelso Pretório era execrado por leigos sedentos de punição ante a corrupção que tomou conta do país, o outro ministro aproveitou o momento para indignar-se e da mesma forma fazer pirotecnia, só que a seu favor.

    As possíveis ligações de Daniel Dantas com gabinetes do governo podem atingir a Casa Civil criando um novo desgaste para a sua titular, o que não é nada saudável. Enquanto o fogo formava labaredas sinistras, o ministro Tarso navegou por mar calmo. Nesse ínterim o presidente Lula, percebendo o perigo, chamou os envolvidos e certamente deu ´um chega pra lá´ em todos mandando acabar com as questiúnculas. Dissolveram-se rapidamente os promotores da operação, com desculpas esfarrapadas que chegam a dar dó.

    Enquanto isso, os mistérios permanecem inexplorados no disco rígido do computador do banqueiro Daniel Dantas. Tem urubu sobrevoando esse céu...

    (*) E-mail: sandra.silva@brturbo.com.br

    Informações relacionadas

    Justificando
    Notíciashá 6 anos

    Jogos de Poder #6: As habilidades escondidas por trás de todo político

    Justificando
    Notíciashá 4 anos

    Ele Não Porque Eu Sou Negro

    Justificando
    Notíciashá 6 anos

    O Cerco de Forli está montado | Jogos de Poder

    Justificando
    Notíciashá 6 anos

    Lula, Marina Silva, ou Moro em 2018? | Jogos de Poder

    Justificando
    Notíciashá 6 anos

    Jogos de Poder, Episódio 01: Congresso Nacional

    0 Comentários

    Faça um comentário construtivo para esse documento.

    Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)