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8 de Maio de 2021
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    Estudante de Direito que ofendeu nordestinos vive reclusa

    Espaço Vital
    Publicado por Espaço Vital
    há 10 anos

    Em outubro de 2010, Mayara Penteado Petruso, de 21 anos, era estudante de Direito de uma faculdade particular na capital paulista e era sustentada pelo pai, proprietário de uma rede de supermercados.

    Hoje, sete meses depois, a jovem deixou a universidade, os amigos de São Paulo, vive reclusa em Bragança Paulista, no interior do Estado, e responde a um processo erroneamente cadastrado na Justiça como "pornografia infantil".

    O paradeiro da ex-estudante é desconhecido até mesmo por pessoas próximas à família. No condomínio onde ela estaria morando, nem mesmo o porteiro demonstrou ter conhecimento sobre a polêmica na qual a jovem se envolveu. As informações são do saite Último Segundo (IG), em texto da jornalista Nara Alves.

    O divisor de águas na vida de Mayara foram os posts que publicou na Internet após o resultado da corrida eleitoral do ano passado, em que Dilma Rousseff foi eleita presidenta. Em suas páginas no Twitter e no Facebook, a jovem atribuía a vitória de Dilma ao Nordeste e defendia o assassinato de nordestinos por afogamento. "Nordestino não é gente", publicou.

    As declarações lhe renderam um processo criminal aberto na última quarta-feira pela Justiça Federal a pedido do Ministério Público Federal.

    Ninguém da família foi encontrado pela repórter para comentar o processo aberto contra Mayara.

    Também não consta no extrato de movimentação processual que ela tenha contratado até o momento um advogado que pudesse responder às solicitações em seu nome. Na ação, a jovem não responde por racismo, como era a intenção do MPF, mas sim por "pornografia infantil via Internet".

    A 9ª Vara, onde tramita o processo, alegou que "pode ter havido um erro na distribuição da ação penal contra a ex-estudante de Direito". O suposto erro, contudo, não foi detectado por nenhuma das partes envolvidas e permanece nos registros da Justiça Federal.

    Segundo a secretaria da 9ª Vara, a correção se dará quando a ré for intimada. Se ela não tiver condições financeiras de contratar um advogado, poderá utilizar os serviços da Defensoria Pública.

    Mayara é filha do empresário Antonino Petruso, proprietário da rede de supermercados Mercado do Papai e de um terreno de 27 mil m² para eventos em Bragança. À época das declarações polêmicas, ele afirmou em entrevista ao iG estar "surpreso, decepcionado e envergonhado" com atitude da filha.

    Um amigo da família contou ao IG que Mayara não mantem contato com o pai ou com as três irmãs que ela tem pelo lado paterno. Desde que fez as declarações ofensivas a nordestinos, Mayara foi demitida do estágio, interrompeu os estudos, afastou-se dos amigos e voltou para Bragança.

    Nenhum parente próximo à jovem concordou em conceder entrevista sobre a ação criminal. Na rede de supermercados da família, secretárias informaram que Antonino Petruso enfrenta "um sério problema de saúde" e teve de licenciar-se de suas atividades profissionais. Uma das irmãs da jovem também

    preferiu não se pronunciar.

    Procurada, Mayara não retornou às solicitações da jornalista.

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    Leia a matéria seguinte .................................

    OAB-PE diz que "a resposta foi dada"

    A OAB de Pernambuco comemorou a notícia de que Justiça Federal de São Paulo abriu processo contra a estudante de Direito Mayara Penteado Petruso pelo crime de racismo. Na visão de Mayara, o triunfo da petista só foi possível graças ao povo daquela região, especulação que os dados da Justiça Eleitoral desmentem.

    O processo foi aberto em 4 de maio, após denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal do Estado de São Paulo, a quem a OAB chamou de "leniente" na última quinta-feira (2). A Ordem, que em novembro havia encaminhado ao MPF-SP notícia-crime contra Mayara, reclamava da falta de informação sobre o caso após quase sete meses da ocorrência do fato.

    "O importante era que houvesse a denúncia contra ela, partindo do Ministério Público ou da OAB de Pernambuco é indiferente. O que a sociedade precisava era de uma resposta eficaz para esse tipo de conduta. E a resposta foi dada, no momento em que a OAB ofereceu, em novembro, aquela notícia-crime e o MPF-SP apresentou a denúncia e ela foi recebida... É o que queríamos. Vamos agora ficar vigilantes no encaminhamento da tramitação da ação penal" - afirma o presidente da entidade, Henrique Mariano.

    Segundo o Ministério Público, o caso estava em segredo para preservar o conteúdo das quebras de sigilo telemáticas que averiguavam as operações de Mayara no perfil de Twitter denunciado.

    A pena para quem pratica atos racistas varia de um a três anos de prisão, além de multa. Se o crime for cometido mediante uso de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, como no caso da estudante paulista, a punição é agravada, variando de dois a cinco anos de prisão e multa.

    Sobre a ação penal privada contra a universitária, oferecida pela OAB, a entidade explica que "o procedimento perde o objeto na medida em que a Justiça Federal recebeu a denúncia do MPF-SP".

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