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19 de Janeiro de 2021
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    E ele tinha razão

    Espaço Vital
    Publicado por Espaço Vital
    há 8 anos

    Por Nelson Oscar de Souza,

    desembargador aposentado do TJRS.

    Os fatos se sucedem com tanta celeridade que a memória, às vezes, não tem condições de trazê-los à tona.

    Relembro. Ano de 2005, 15 de novembro. O jornal Folha de S. Paulo publicou um artigo com o seguinte teor central: Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tão mais nefasta por servir à compra de votos de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor aos seus desmandos.

    Há 30 anos professor da Universidade de Harvard (EUA), Roberto Mangabeira Unger era o seu autor.

    Dois anos depois da publicação, ele aceitou o convite/cooptação do então presidente nunca se explicou claramente a metamorfose... para ocupar uma pasta no seu governo, o Ministério Extraordinário e Planejamento de Longo Prazo, o que durou apenas dois anos.

    Curioso: agora, as previsões desse "Ministro Extraordinário de tão Curto Prazo" realmente se tornaram realidade.

    Mais: realidade histórica, pois cada ato ou fato, local ou circunstância, está comprovado documentalmente. Não se trata de documentos colhidos no decorrer de uma pesquisa histórica, mas documentos produzidos perante a mais alta Corte do país, diante do procurador-geral da República e dos mais graduados advogados da praça.

    O certo é que o professor-articulista fazia aquelas graves denúncias em 2005 (foi acomodado e silenciado por dois anos...) e os fatos examinados no processo que se discute perante o Supremo Tribunal Federal ocorreram entre 2002 e 2005, ou seja, imediatamente antes da denúncia.

    Claro, o ex sempre os negou, como convinha, embora alertado por cinco fontes diversas da existência desses fatos. E até os considerou normais, quando de uma de suas vilegiaturas por Paris. Continua a negá-los à nação... Oito dias antes daquele artigo Ele disse no Roda Viva: E não acredito que tenha existido essa barbaridade na política nacional...

    A senhora presidenta da República, por sua vez, em seu discurso de posse, prometeu não admitir qualquer espécie de corrupção. Mas, na prática, jamais se manifestou a respeito. Ao contrário, no jantar de sua posse recebeu e fez agradinhos (a tevê não mente) a uma das pessoas que havia praticado malfeitos em seu governo e, por isso, fora demitida.

    De outro lado, permitiu que sua campanha fosse dirigida por um deputado cassado por corrupção, exatamente o principal réu do processo criminal: note-se a denúncia acusatória já havia sido recebida pela Corte. E, ainda, em recente ato partidário, festejou e aplaudiu esse mesmo réu, como se nada de anormal viesse ocorrendo. E também não protestou contra a readmissão de outro réu aos quadros de seu partido.

    Na semana passada com a chancela da presidenta Dilma Roussef e sob a inspiração do réu José Dirceu, os seus liderados publicaram manifesto de afrontamento das instituições democráticas, como demonstra a imprensa.

    Diz a voz popular: quem cala, consente. Mas o político tem deveres perante o país: não basta alardear em discurso uma coisa e permitir que outra bem diferente continue ocorrendo.

    É lícito, portanto, que se instaure a desconfiança na opinião pública sobre os verdadeiros desígnios políticos dos donos do poder.

    Estes nunca patrocinaram um claro projeto político, mas sempre tiveram um projeto de poder poder a qualquer preço e a qualquer custo, como decorre dos autos do processo criminal. Daí a necessidade de uma renovação imediata dos quadros ocupantes desse poder avassalador e indiscriminado.

    Não é verdade que o professor tinha razão ?

    oskar@terra.com.br

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